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Ser feliz é deixar a lágrima escorrer

20 nov

Minha mestra me ensinou que se perder é o primeiro passo pra encontrar o que eu procuro. E que o verdadeiro valor das coisas está na emoção que empregamos em nossas atitudes.

Com ela aprendi que ter medo é como ter coragem, é interesse. Com o ela o sorriso tem a mesma importância da lágrima e do abraço.

Por estamos juntas, descobri que a entrega é o encontro. Aquele que está no espelho. Aquele que é fiel ao que eu sou.

Com ela pude ser e querer me libertar. Pude sorrir e chorar. Pude me abraçar e me permitir voar. Nela eu vejo o amor e o cuidado que um dia quero também carregar.

Ela me inspira e me provoca. Me instiga e estimula simplesmente por ser. Ela transforma, ela é.

Juntas temos medos e anseios, sonhos e desencontros. Mas hoje eu sou porque ela é. E juntas somos mais. Ela é gratidão, esperança a amor. Ela transborda. Ela é vida!

Ana Kiyan é minha história, parte de mim, parte de eu. 

Sobre o amor e as possibilidades da vida

19 nov
Coração aperta.
Coração liberta.
Sentimento é força que viaja o mundo,
ultrapassa oceanos.
Coração respira.
Inspira.
Amor prepara,
se prepara.
Amor vive.
Amor busca.
Eu vou.
Vou?
Você vai?
O amor…
O amor pode.
O amor vai.
E eu, vou?

o amor e o encontro inexistente

5 nov

quando vejo uma pessoa bonita

tento me aproximar dela ao máximo

numa tentativa quase tola de incorporar toda sua beleza à minha existência.

então eu fico lá inebriada por alguns instantes…

observando as suas feições delicadas ou rudes

pensando em quão belas são

e como eu poderia amá-las.

não que eu ame pessoas por sua aparência física,

longe disso.

eu as amo por aquele brilho único que algumas possuem.

curioso é saber que eu desisti de amá-las por tanto tempo

que acabei por desistir de escrever sobre elas também.

e agora estou aqui, escrevendo esta pequena declaração oculta de amor eterno…

uma declaração infinita, apesar de tudo,

uma que exalta a perfeição destes encontros ilusórios.

Uma estrela, um sol

21 jun

Foi numa noite que você se anunciou. Ainda tinha outro rosto e até outro nome. Foi chegando como quem não queria nada, mas eu já sabia. Mudaria minha vida pra sempre.

Acalmou. Dormiu. Sonhou. E foi numa outra noite que você se anunciou de verdade. Uma implosão no útero. No dela e no meu. Num abraço te senti ainda pequenina. Uma força sem tamanho.

Numa noite não dormi. Acordei com o telefonema. “Malpha, você é titia!”. Pulei, chorei, sorri. E lá se vão quatro anos de muitos sorrisos. 

E que venham muitos mais. Muios anos de Maria Morena. Minha sobrinha. Meu amor. Minha família. 

Quando ele me beija até o fim

22 abr

O bom disso é que a gente tem se amado muito à distância. É! Nem precisa muito pra um sentir o cheiro do outro, lembrar o gosto do outro. É como se nossas línguas nunca tivessem se separado. Mas é claro que é amor! Amor tem de todos os tipos, maneiras. A nossa é assim, de perto e de longe. Quando estamos juntos é só carinho. Uma mão pega na outra, logo uma perna encosta na outra e quando a gente percebe já passou uma noite inteira dançando e se sentindo. É! A gente também chama isso de dança. E não é? Meu corpo entra no ritmo do dele, a respiração dele completa a minha, cada gesto tem seu tempo e seu porquê. O que eu mais gosto? É do braço dele. Juro! Não que eu não adore o resto do corpo dele… Nossa! Como eu adoro! Mas é que o braço tem alguma coisa de especial. Eu me sinto livre, entende? Quando ele me abraça, abraça com o corpo inteiro, mas é com o braço que ele me segura. Força? Não, tem nada a ver com força não. Quer dizer, ele é forte, pode segurar qualquer um, só não é disso que eu estou falando. É naquele braço dele que tudo acontece. O sentir, o sabor, o ritmo… Mesmo quando sinto ele entrando em mim, só me deixo gozar mesmo quando sinto o braço dele na minha cintura. E quando ele me abraça por trás? Quero me largar naquele abraço pra sempre e ficar lá sentindo seu braço, sua respiração e a sua boca no meu pescoço. É, tem razão. Também tem a boca dele. O beijo, sabe como é… é daqueles inesquecíveis. Ele beija macio e ao mesmo tempo com um vigor de fazer a gente perder a noção do tempo. Tem gosto de prazer absoluto. É isso, ele me beija também com o braço. Claro que isso é possível! Imagina um beijo que desliza pelo seu corpo inteiro sem nunca sair sa sua boca. Imaginou? É isso que acontece quando ele me abraça. Ele me beija com o corpo inteiro. Como é que isso tudo acontece? Ora! Na minha lembrança, na nossa memória, nos nossos encontros. Não, ele não é o único que me deixa assim, eu tenho muitos! Homens? Claro! Mulheres também. Eu já desejei não ter nenhum até que o encontrei neles. E encontrei nelas também. Mas aí é diferente. Te conto outro dia. Eu sei que parece mentira, mas se você já teve um braço assim envolvendo o teu pescoço e a tua cintura enquanto te beija, você sabe do que eu tô falando. Por que ninguém sabe? Porque isso é nosso, ninguém vai entender. Não é segredo não, só é um outro jeito de se beijar, dançar, se amar. É livre. É quando a gente quer. Eu sei que pra você é só sexo. Mas se é no sexo que a gente se entrega assim, que os corpos viram um, que os beijos são infinitos e que as bocas e o prazer estão em todo lugar, como isso não seria amor? O nosso amor é do começo ao fim. Você também quer experimentar? Claro! Só deixa eu dar uma olhada no seu braço…

uma carta para a vida

13 nov

é dona vida, a senhora sempre está me ensinando coisas valiosas. a senhora me ensinou a amar, me entregar e a escrever cartas. só uma carta a senhora não me ensinou a escrever, a carta de despedida. a senhora veja que coisa boa, essa eu não vou aprender a escrever nunca! e isso é certamente um bom aprendizado. a senhora também me ensinou a conhecer pessoas e esses laços que a senhora dá são tão belos e tão firmes! uma das pessoas que a senhora gentilmente me apresentou foi a minha avó, dona neide.

dona neide é uma mulher forte, sensível, carinhosa, feliz. dona neide é uma mulher boa. capaz de abrir os braços para todxs que chegam a ela. e dona neide também sabe ensinar, como você. ela me ensinou a alimentar todxs com carinho, respeito e amor, me ensinou a sorrir mesmo chorando e a gargalhar sem medo. dona neide sempre me ensinou a confiar em mim, nos anjos da guarda e nas orações. ela me ensinou que pessoas passam por nossas vidas e nem sempre ficam, mas deixam algo de muito importante na gente. dona neide sempre nos acalma e nos trata com gentileza. sempre sorrindo… agora mesmo eu escuto a sua voz doce me dizendo “oi filha”… é uma voz muito bonita que cantarola enquanto cozinha. para dona neide, xs amigxs também são parte da família. e elxs merecem o mesmo calor que vem do ninho de sangue.

na casa de dona neide, as portas estão sempre abertas e sempre bate sol. lá sempre se dorme tranquilx e segurx. lá se brinca, se colhe e se planta. e depois de tanta brincadeira, tem sempre um café cheiroso para se tomar. lá na casa dela, a cozinha é grande e sempre cabe todo mundo sentado à mesa. tem festa e tem churrasco, com direito a sobremesa e café da tarde. lá se prepara daquilo que todxs gostam. é só pedir que ela faz. às vezes nem se pede, basta chegar e lá está, tudo aquilo que você deseja dela. dona neide tem o abraço mais gostoso e mais quente da vizinhança. por isso a casa está sempre cheia de gente feliz.

pois é vida, parece que dona neide acabou me ensinando muito mais que você. mas não fique chateada com isso não, que ela também pode te ensinar o que eu aprendi. é só sorrir pra ela que ela lhe sorri de volta. sabe vida, essa semana a senhora levou dona neide pra outro lugar. eu até tentei ficar brava com a senhora, mas dona neide diz que isso não leva a nada. eu fiquei triste com a senhora. por não ter me deixado ficar com ela mais um pouquinho. até eu casar, ter filhxs, escrever um livro. essas coisas que a senhora sabe que eu quero. mas a tristeza vai passar, eu sei.

do lado de cá a gente sabe que dona neide, minha avó, era também uma mãe pra mim. e pra mais um monte de gente… ela é tia-mãe, avó-mãe, mãe-mãe, primeira-mãe, segunda-mãe… é que não acaba mais. ela é mãe que a gente escolhe e que fica feliz de ter se não escolheu. por causa dela eu sou quem sou e como sou. por causa dela eu sou mulher que fala de mulheres, que escreve sobre mulheres, que ama mulheres. foi ela que sorriu quando eu fiz a minha primeira tatuagem e que me disse que a dor de amor também passa. foi pra ela que eu contei que gostava de homens e mulheres sem medo e que escrevi mais cartas. foi pra ela que liguei quando precisei e quando senti saudade. e é pra ela que eu dedico a minha vida.

sabe dona vida, dona neide morreu essa semana, mas ela sempre esteve e estará comigo. é por isso que agora eu não sinto um vazio no peito. agora eu sinto amor. dela, meu e nosso. eu tô preenchida de dona neide pra sempre. por isso, vida, eu vou te contar que com ela eu aprendi que viver é morrer e morrer é viver e vou te ensinar uma coisa bem importante: quem a gente ama não vai embora, fica pra sempre no presente. e é em respeito à minha avó, dona neide, que hoje eu não estou de luto. estou de vida.

Pensamentos de amor e não amor

13 out

Nós, mulheres fortes, também sofremos por amor. Ou pela falta dele. É incontestável a cobrança que sentimos quando estamos sozinhas. Olhares se voltam para nós nas festas, principalmente as de casamento, como se fôssemos seres condenados à pena. Piores são os olhares de nós mesmas nos espelhos que nos cercam. Inúmeras perguntas sobre os motivos de tal solidão. Seria meu corpo? Minha personalidade? Culpa minha ou distração. Não. Somos ensinadas a sermos somente alguém ao estarmos acompanhadas. Destinadas a incompletude de estar solteira. Somos as futuras Senhoras alguma coisa e não apenas nós mesmas. Quem virá nos resgatar desse abismo para onde ainda nos empurram? Tudo parece ficar mais forte ao envelhecermos. Agora com 30 anos, muitos acreditam que já deveríamos ter constituído família. Eu mesma me pego pensando isso por mais vezes do que gostaria. A pergunta “quando?” não consegue encontrar sua resposta. Será que existem essas mulheres com finais românticos e felizes dos livros de Jane Austen? É engraçado pensar que este texto vem logo após uma redescoberta do amor, sentimento cuja existência continuo acreditando. Não há nada de errado nisso, pelo contrário. Acreditar no amor ou sentir a falta dele não são uma contradição que prove ser ele um mito. O amor existe. E está ao mesmo tempo que não está em todos os lugares. É apenas mais exigido das mulheres que não possuem um alguém para compartilhar a cama no fim do dia. É difícil ser uma mulher forte e amar.