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A tentativa de assassinato

7 jan

Estávamos lá, ela e eu. Ela, de costas pra mim, apenas esperava algum gesto repentino, pois havia notado a minha presença desde o início e não se moveria um milímetro. Eu estava paralisada com uma caneca de água nas mãos. Eu podia acertá-la, mas o medo tomou conta do meu corpo de forma arrebatadora. Torcia para que ela fosse embora para sempre! Que não voltasse a vê-las jamais! Eram em muito maior número.

Quando minha irmã veio em meu socorro com a caneca de água, achei que seria capaz de um ato de coragem como nunca tivera antes. Como eu poderia permitir que ela me dominasse dessa forma? Todas elas! Uma aflição terrível tomou conta de mim. Eu sabia o devia fazer, mas não conseguia mexer um músculo. Finalmente, percebendo a situação patética em que me encontrava, criei forças e me preparei. Seria o bote final.

Enquanto minha irmã e eu soltávamos gritos e gargalhadas, me dei conta que estava presa à cena mais ridícula e aterrorizante de nossas vidas. Pensei em pedir ajuda a algum vizinho, mas quem seria capaz de cumprir este papel tão baixo ao qual eu estava me candidatando?

“Eu te odeio! Eu te odeio!” Foram minhas últimas palavras. Agi! Ela se levantou e voltou ao mesmo lugar onde a encontrei, próximo à janela. Joguei água nela pela segunda vez e a filha da puta da barata se escondeu embaixo do carro! Desistimos. Ela ainda está à solta no mundo.

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