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Beijos no chão

10 nov

Muitas leituras fizeram meu corpo tremer, o meu sono sumir e o meu coração bater mais rápido. Mas eu não nunca imaginei que uma leitura tão profunda e com um tema tão brutal pudesse ser tão sublime como Beijos no chão da Dani Costa Russo.

Falar de violência contra a mulher, de violência doméstica, da forma tão poética como Dani fez, trouxe um novo olhar para minha estante, para os meus textos, para minha militância, para minha alma.

Dani Costa Russo - foto de Fernanda de Oliveira

Dani Costa Russo – foto de Fernanda de Oliveira

Como tantas [e tantas… e tantas…] mulheres, faço parte de uma estatística ingrata de violências. A verdade é que nunca sabemos onde e quando o gatilho vai disparar. E ainda que a minha história seja totalmente diferente da protagonista, eu tinha medo de ler o livro. Eu tive medo e recebi um presente por enfrentá-lo. “Beijos No Chão” foi um bálsamo curativo tanto para minhas feridas quanto para minha escrita.

Existe a violência, existe a poesia e existe a superação, esse tão longo processo que se chama empoderamento. E é disso que essa leitura se trata. É isso que significa ler mulheres, incentivar mulheres a escrever, dar suporte a elas nos momentos de vulnerabilidade e nos momentos grandiosos como o lançamento de um livro. Empoderamento é fortalecer as mulheres e, por consequência todas as pessoas, é entender o que é respeito, voz, força e representatividade. A poesia em Beijos no chão é aquela voz que diz “faça, não só porque você quer, mas porque você pode querer. Todas podemos. Dani nos fez voz em sua escrita e, por isso, serei eternamente grata.

Ler um bom livro é sempre um presente para quem se permite. Eu me entreguei à Dani e me entregarei novamente quantas vezes ela me convidar a compartilhar sua arte. Me entregarei sempre às mulheres escritoras. Porque somos juntas.

Leia mulheres.

Mulheres, escrevam.

Denuncie a violência doméstica. Meta a colher. O empoderamento não se faz sozinh@.

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Marília e Clarice

14 dez

Eu queria ser Clarice Lispector. Essa é a verdade. Eu queria publicar livros que fizessem com que as pessoas sentissem o que eu sinto quando leio Clarice. Aquele inegável espelho que reflete minha alma a cada página.

Eu sei que Clarice escreve pra mim e queria saber quem é a que me escreve a cada leitura. Como uma leitura pode ser tão avassaladora ao ponto de fazer a outra pessoa querer escrever? Querer compor tão belas palavras…

A intensidade de Clarice me assusta e me alimenta. É nela que baixo a guarda me permito ser o furacão. Se ela pode, não poderia eu também? Sempre quis poder ser essa intensidade e ser respeitada por ela como hoje é Clarice. Será que ela também tinha medo de ser tão intensa? Será que foi respeitada sempre por ser esse furacão?

Fui escrever para ver se dava conta de expressar tanto sentimento. É tanto pensamento borbulhando e uma vontade dilacerante de ser ouvida… lida. Vivida. Tento, escrevo e costumava me arrepender. Escrevo de supetão, raramente reviso. É o medo de encontrar com o erro, com a vontade de desistir. Mas resisto. Não desisto até ser Clarice. Ou melhor, Marília.

 

faz tempo que lemos aqui

2 out

Meses sem escrever sobre meus companheiros de leitura. Passei por um período de grandes transformações nesse 2015 de tanta turbulência. Mas ler é um prazer que vai além dessas pedras e já demorei demais pra retomar esse meu hábito de retrospectivas literárias.

Minha última leitura declarada foi a máquina de fazer espanhóis, como já falei aqui. De lá pra cá tanta coisa rebuliçou dentro de mim que até escolher um livro se tornou uma tarefa difícil. Fiquei desempregada e muito doente. Minha memória foi prejudicada tanto quanto meu bem estar e obviamente isso afetou minha capacidade de assimilação, reflexão e produção. Talvez conte mais sobre isso qualquer dia desses, pois hoje é dia de muita alegria e retomada desse hábito que eu gosto tanto. Segue a “lista” de amores vividos e compartilhados.

De trás pra frente, temos um livro lido num período de insônia. Nada planejado. Simplesmente aconteceu e aconteceu intensamente! Ganhei da minha amada Fê uma lindeza de conto, Sono, do Murakami. Ai esse homem… Quanta coisa me faz sentir e sorrir. E a Fê tem o dom de saber o que estou buscando e quando preciso. Amor faz isso. O conto é uma delícia de ler e as ilustrações são ma-ra-vi-lho-sas. Recomendo com prazer.

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Depois dessa belezura, recomeçaram meus estudos e uma obra me fez rever muito do o que eu tinha registrado sobre Machado de Assis. Ao vencedor as batatas, do Roberto Schwarz. O que a escola não faz conosco, não é mesmo? Ensinando x  brasileirx a não ler x brasileirx e ainda pior, nos fazendo detestá-lxs. Coisa feia de se fazer com a literatura nacional! Desculpa aí, Machado. Já voltei a te amar.

Ao vencedor as batatas

Dando continuidade aos meus estudos, já que estava completamente sem cabeça ou humor/amor pra ler outra coisa, peguei uma sugestão de leitura de dois professores da pós que foram só amor! O pensamento sentado, de Norval Baitello Jr. é de foder. Olha só esse título! Impossível ler com a bunda na cadeira. Um dos grandes prazeres revolucionários de estudar é encontrar seres tão interessados na vida como o Norval. Esse é um livro pra todxs. Sou muito grata.

pensamento sentado

E aí veio Rubem Alves e me devolveu a poesia, o amor, a esperança e o sentido. Tudo isso num livrinho só. Entendi mais de mim do que podia imaginar. Outro livro para todxs.

rubem alves

 

Alguém duvida que depois de Rubem Alves eu não ia continuar estudando? Por que arte-educação?, de João-Francisco Duarte Jr. Porque sim! Porque é lindo, é vida, é amor e porque eu quero!

arte educação

Daí ferrou. Já estava num faniquito pra ler Anna Kariênina, do Tolstói desde a infância. Óbvio que não é uma leitura para crianças, mas desde que vi o filme de 1997 (também não era um filme pra crianças) isso não me sai da cabeça. Ganhei da mamir uma edição linda da Cosac Naify e lá se foram alguns meses até querer desistir e finalmente mergulhar na leitura. Confesso que ainda estou um pouco traumatizada com essa leitura. Foi muito bom mas não foi nada fácil. Quando terminei escrevi as seguintes palavras “terminei de ler Anna Kariênina. e eu sinto um vazio que vai além da última página lida. ela morreu e o mais triste de tudo é perceber que para todos exceto os dois únicos homens que a amaram, o irmão e o amante (no mais belo sentido desta palavra), ela nunca sequer existiu. uma angústia diz que isso ainda se repete.” Muitos sentimentos. Eu acredito que se tem uma coisa que vale a pena é viver um amor. Então Anna, para mim você vive.

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Baque. Vazio. E agora? O que fazer? Se senti o que senti após Anna Kariênina é porque voltei ao normal. Aquele ritual de reorganizar a estante antes de começar outra leitura aconteceu, só que dessa vez eu já sabia qual escolher. Indicado por duas pessoas diferentes, A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. le Guin é sem dúvida nenhuma o livro mais inusitado que já li. ADOREI. É muito bom. Por favor, leiam e depois a gente conversa. rs

ursula

Vai, não foi tão difícil assim. Nem pra mim e nem pros meus livros amados. Olhando agora, até que li bastante coisa desde abril… e já planejo mais! Me aguardem!

minha última leitura

6 abr

Este é um texto sobre o livro a máquina de fazer espanhóis, do valter hugo mãe.

A primeira coisa que me chamou a atenção para este livro foi a forma sensível do próprio autor falar sobre como a vida e a arte se comunicam no trabalho dele.

Quando peguei meu exemplar de a máquina de fazer espanhóis, recebi o mesmo alerta de duas pessoas: não lê. é pesado… Eles tinham razão. O começo me doeu tanto que o livro ficou parado por uns 3 meses. Quando venci a minha batalha ao lado da Clarice, retomei a leitura. Depois de encontrar meu reflexo, podia enfrentar essa dor também e terminar o livro que eu estava gostando tanto.

a máquina de fazer espanhóis

Meu avô morreu em 2011, enquanto eu estava na praia com amigos. E eu já sabia que isso aconteceria durante essa viagem. Ele estava muito fraco e ficou muito feliz de repente… Sinais que eu vi e que ainda hoje eu sofro por ter ignorado. Falar deste livro é falar do meu avô e de tudo o que eu gostaria de ter feito por ele e ter dito a ele e não o fiz. E isso dói.

Este livro merece um texto que eu ainda não estou à altura de fazer. Seria audacioso demais. Revelar cicatrizes de uma intimidade que não está pronta para se revelar também me dói.

Recomendo muito a leitura. É um daqueles livros que a gente quer dormir abraçadinho e não soltar nunca mais. Ainda mais depois que acaba. Vontade de ficar com ele(s) mais um pouquinho.

Entre Clarices

20 mar

Entre Clarices é um projeto que surgiu sem que eu me desse conta da sua existência. A minha história também se escreve no que leio, já que escolho intuitivamente a obra seguinte. Nada cai na minha mão por acaso, a alma dos livros sussurra qual devo ler.

No fim do ano aconteceu um maremoto dentro de mim. Tive de questionar muitas das minhas escolhas até dezembro de 2014. Foi profundo e foi pesado. Muito solitário. Uma vida toda se fez filme na minha cabeça. O sono se foi, os prazeres perderam um pouco do sabor. Tive pouco tempo para me preparar para grandes mudanças e elas não esperaram a minha reflexão. E com essa coisa toda, não dava pra ler.

As leituras, sempre tão apaixonantes, se transformaram em letras embaralhadas na minha frente. Eu tinha medo de ler. De começar qualquer coisa, na verdade. Alguma coisa martelava na minha cabeça que estava na hora. Num impulso peguei o livro. Li as primeiras páginas em companhia da minha querida amiga-irmã-gema Dias e soube que, por mais que eu lutasse contra, era o momento de encarar aquele livro.

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Ser Clarice tem suas vantagens. Os livros sempre são escritos no instante em que estou lendo. E somente pra mim! Que mágico é isso. Terminei ontem A Paixão Segundo G. H. no momento em que Didi entrava no quarto! Esses mistérios da minha vida… O que dizer? Pra você, nada. Pra mim, tudo foi dito. “Tudo está.”

Cada ciclo da minha vida, desde a decisão de não ler Clarice há mais de 15 anos é, inevitavelmente iniciado e ao mesmo tempo finalizado com Clarice. São períodos em que uma voz me diz: acho que está na hora de uma Clarice. É um caminho sem volta e cheio de flores. O que acontece no meio é alimento. Preparação pra ler Clarice, porque ela me entende. Somos unas na finitude de cada segundo. “Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas era só isto? E a resposta é: não é só isto, é exatamente isto.”

Mas se você acha que só Clarice é capaz de me atropelar para me colocar no eixo, se engana. Minhas últimas leituras foram tão intensas que precisei recuperar o fôlego depois de cada uma. Vejo agora uma trajetória fantástica e transformadora. E só pra atualizar a lista, eu estava lendo um montão de livros. Terminei dois deles e guardei alguns. Segue o post que era pra ser outro e que agora é um. 2014 foi assim:

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Tatiana Leskova – Uma Bailarina Solta no Mundo
Suzana Braga
“a finalidade da vida é a própria vida”
“O teatro é como uma religião. Quando você chega e pisa no palco, você precisa acreditar na sua mística – e se entregar. É uma comunhão, é como entrar numa igreja. E para isso é preciso ter muito, mas muito respeito à arte…”

Ela Prefere as Uvas Verdes
Jader Pires
Não vai ter trecho. Vai ter mistério. Leia.

Quando tudo se desfaz: orientações para tempos difíceis
Pema Chödrön
Resgatou o passado dolorido e abriu aquela janela emperrada. Uma profunda reverência às amigas Suzana e Marlise por me lembrarem que o caminho está aqui dentro e é meu.

Entre os Atos
Virginia Woolf
Adoro as imagens poéticas dela. As três últimas páginas são incríveis. De resto, é o segundo livro dela que leio tentando ler o que ela sentia. O que estaria sentindo ao escrever aquelas palavras? Talvez não precise de seus livros, talvez precise de uma sessão espírita.

O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel García Márquez
“Só me dói morrer se não for de amor.”

Meio Sol Amarelo
Chimamanda Ngozi Adichie
Não deu pra respirar, pensar ou ler qualquer coisa por um tempo depois desse livro. Intenso.

Que continue. 

Ao ponto

11 out

Hoje é aniversário do Jader, único post com data marcada deste humilde e ainda imaturo blog.

Assumo que fui (sou) uma das piores amigas do Jader nestes últimos dois anos e que, ao mesmo tempo, uma amiga que lembrou dele todos os dias. Todos os dias? TODOS OS DIAS. Pensando bem, é quase uma perseguição…

Esse ano o Jader lançou seu livro. Eu o comprei, li e reli. Poucas coisas me deixam tão feliz quanto olhar meu exemplar na estante.

Amigo se realiza nas realizações dos outros.

Hoje estou feliz.

“Quando vi seu rosto, me deu um estalo, uma necessidade de me machucar por dentro para sentir algo maior na vida.”

Marcas de Marília

23 maio

Vou ser direta. O ano começou e eu comprei mais livros. É. Comprei. Não consegui resistir. No início, eram 8: os quatro abaixo, Ulysses do James Joyce chegou muito tempo depois e mais 3 presentes. E parei por aqui! Juro! [acho]

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Quanto às leituras do início deste ano lindo lindo lindo, decidi presentear meus adoráveis leitores com trechos que me fizeram sorrir, chorar, suspirar ou até mesmo parar de ler para sentir a mágica. Bon appétit!

“Nem eu posso fazer-te todas as perguntas,
nem tu podes dar-me todas as respostas.”
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago

“O amor não dá nada além de si mesmo
e não toma nada além de si mesmo.
O amor não possui nem é possuído;
Pois o amor é suficiente ao amor.”
O Profeta, Khalil Gibran

“Pois a alma de uma mulher é mais velha que o tempo,
e seu espírito é eternamente jovem…”
A Ciranda das Mulheres Sábias, Clarissa Pinkola Estés

“A inspiração é que nos mantém em forma.
Podemos nos inspirar para delinear um futuro mais elevado e ideal,
e quando fazemos isso, os milagres acontecem.”
A Décima Profecia, James Redfield

“Ser livre era seguir-se afinal.”
Perto do Coração Selvagem, Clarice Lispector

“Não faça um julgamento moral de você mesma,
baseado no que os outros poderiam pensar.”
Trilogia Cinquenta Tons de Cinza, E. L. James

“- Dói-te alguma coisa?
– Dói-me a vida, doutor.
– E o que fazes quando te assaltam essas dores?
– O que melhor sei fazer, excelência.
– E o que é?
– É sonhar.”
O Fio das Missangas, Mia Couto

“A alma, em si, apenas se nutre de amor.”
Nosso Lar, pelo espírito André Luiz, Francisco Cândido Xavier

“Nós seremos o que fizermos juntos.”
Carta a D., André Gorz

Mudando de assunto… Foto! Mostrei a minha estante nova? Paixão total!

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as cortinas também são novas

O Papis disse “ai filha, melhor comprar outra, né? Porque eu sei que você vai continuar comprando livros…”. Ele tem razão. Não tá cabendo tudo nessa minha gracinha. Ontem arrumei pela segunda vez desde a compra e sobrou um pequeno espacinho… Aguenta coração! Daí lembrei dos mais de 20 dentro do baú esperando o momento de sair e tomar um arzinho. Plaft! Não cabe.
Amor é assim, quanto mais, melhor! Só é preciso um pouco mais de paciência.

Atualmente o meu amor está caminhando nesta pilha:

lendo

lendo tudo isso e mais um monte de porcaria online

*destaque para o livro do meu “muso” inspirador, Jader Pires!
ela prefere as uvas verdes
Acabei de comprar e já está no pacote! Sucesso pra ti, meu lindo!*