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poesia bêbada

25 ago

sobre fazer poesia não sei

sei regar minhas palavras com vinho e com meus beijos.

sei também que a noite me habita

e que a dança gira dentro de mim

como as saia das minhas mulheres mais antigas.

escrever me embebeda enquanto me danço,

me rezo, me beijo, me sinto!

o calor da noite é maior do que eu.

ele me escreve e me toma como se fosse somente sua…

ou minha.

bebo em minhas palavras mais uma vez

a inspiração que busco fora de mim.

danço minhas palavras como a bebida cai em meus lábios.

é fogo. é noite. é vida. é eu.

Uma estrela, um sol

21 jun

Foi numa noite que você se anunciou. Ainda tinha outro rosto e até outro nome. Foi chegando como quem não queria nada, mas eu já sabia. Mudaria minha vida pra sempre.

Acalmou. Dormiu. Sonhou. E foi numa outra noite que você se anunciou de verdade. Uma implosão no útero. No dela e no meu. Num abraço te senti ainda pequenina. Uma força sem tamanho.

Numa noite não dormi. Acordei com o telefonema. “Malpha, você é titia!”. Pulei, chorei, sorri. E lá se vão quatro anos de muitos sorrisos. 

E que venham muitos mais. Muios anos de Maria Morena. Minha sobrinha. Meu amor. Minha família. 

da noite, o vento

30 maio

quando a solidão passa a ser tudo o que importa,

nem mais a lua volta a brilhar.

o dia nasce e morre sem nunca trazer o vigor da noite

e quando não há mais nada a fazer e a última lágrima cai,

o vento sopra por baixo da porta até chegar ao coração

lá leva consigo uma semente que, de tão pequena, muitos não a percebem.

mas se dela brotar um ramo, uma mudança ou uma inspiração

surge uma flor com o brilho da lua.

uma outra esperança, uma nova inspiração.

é a vida se chamando de volta.

o beijo e o rio

20 abr

deitei na cama com você mas te encontrei num rio de água calma e cristalina

quanto tempo que não te sentia refrescar minha alma

corpo em corpo, nus. sem dor, sem feridas, sem doença

te encontro num beijo, na noite ensolarada da tua língua, num sonho.

Os andarilhos

28 jan

Os andarilhos da noite precisam de luz para caminhar.

Por isso sempre deixo minha alma acesa para que possam encontrar seu verdadeiro lar.

Vez ou outra um deles se perde e nem a lua ou as estrelas são capazes de ajudar.

Nessas horas, são enviados guias alados para proteger seus caminhos. Anjos, se você preferir.

Ninguém os vê. Ou quase ninguém, mas é certo que estão lá.

Quem os envia? Não sei. Talvez a própria noite se comova pela angústia da trilha errada e envie seus protetores aos andarilhos que a acompanham. 

Não se sabe ao certo por quanto tempo vagam e nem o que o caminho os ensina, mas uma certeza existe:

uma hora encontram seu rumo e voltam calorosos para casa. 

Fortalecendo o espírito

7 maio

Às vezes nós temos medo da noite. O silêncio faz nossos pensamentos se confundirem com nossos anseios e passamos a escutar vozes que, por menos assustadoras que sejam, tornam o adormecer muito difícil. Nem sempre é medo. Quem sabe é apenas ausência de si. De mim.

A noite sempre me foi um desafio. Teve o tempo de vencê-la como se fosse uma grande barreira, aventuras de menina. Teve o tempo do apagão completo, da exaustão. E o tempo das lágrimas. Longo… Teve o tempo de esquecer a própria noite no meio do amor, dos risos, dos copos, dos corpos e da fumaça. Nesse tempo ela não me fazia tanta falta. Então veio o tempo de sonhar acordada e de sonhar por motivos, esse é o tempo das páginas e das profecias.

Uma pausa. Um tempo que parece sem fim.

Meu tempo agora é incerto. É in, certamente. Tem medo e tem ausência. E tem quase tudo aquilo novamente. Mas é tempo de oração.

O ballet da noite

4 jun

Eu dancei hoje.

Um grande número de ballet se formou dentro de mim.
Coreografei para todas as estrelas do céu.
Juntas realizamos nossa obra.
E as cores nos acompanharam lindamente!
Ah! Quanta leveza e emoção…

Se eu fosse bailarina, teria feito inúmeros saltos e piruetas.
Entretanto, sou apenas eu. Sem timidez. Sem excessos.
Meu apenas é tão grande para ser somente uma bailarina.
Eu sou mais… eu sou a própria cor, a própria música!
Tudo isso sendo eu.

Tudo isso… eu.

Sei que gracejo tanto com os gestos quanto com as palavras…
mas o que mais poderia fazer?
Dançar? Isso eu já faço até quando tem alguém me olhando…

Dançar! Dançar…
Essência da minha própria essência.

Então dancei.
Na nova e na antiga melodia da noite.

*e tudo veio daqui. obrigada.*