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Frida e eu

7 jul

Eu tinha 18 anos quando ouvi falar de Frida Kahlo pela primeira vez. Fiquei de imediato apaixonada por sua beleza e pela beleza de suas obras. 

Foi conhecendo Frida que eu mesma me descobri bela e intensa. E pude reconhecer em mim as qualidades existentes nas artes criadas por mulheres. 

Foi com Frida que me entendi artista. Foi com Frida que meu corpo reconheceu sua beleza. 

Frida é uma artista que usou seu corpo e sua alma ao extremo: transformou a dor e a vida em arte.

Sua transmutação é a minha. Seu espelho é meu. Sua arte é a própria vida. Sua vida sou eu. 

O que está pode e deve mudar

4 maio

Viver é muito mais difícil que fazer teatro. A vida, apesar de cheia de representações, não tem marca, luz, cortina fechada. No palco, eu sei o que fazer. Acredito que quem está lá comigo também sabe, mas nas relações humanas tudo é um jogo muito mais complexo de tentativa e erro. A roda gira é sua vez de agir ou esperar. Na vida real somos submetid@s à vontade alheia sem texto pré-decorado.

Particularmente, eu nunca fui muito boa em improvisação mas gosto bastante de viver e me relacionar. Como escritora, corro o risco de me prender muito mais ao pensar as relações humanas do que ao vivê-las em sua potência máxima. Isso só me aparece de tempos em tempos e fico grata quando consigo me dar essa possibilidade de tentar viver plenamente.

Vivenciar todas as relações de forma cristalizada hoje me parece um erro terrível. Não podemos ficar estátic@s perante as mudanças que nos são impostas, nem nos acovardar perante as que nos propomos fazer. É certo que não estamos preparad@s para tudo, entretanto é necessário estarmos mais dispost@s a entrar e sair dos ciclos.

“Como foi seu dia?”, às vezes me perguntam. Nem eu sei ao certo dizer, apenas o vivi e cheguei ao seu fim sem saber se amanhã terei outro.

A vida está angustiante e cada vez mais frenética. São tantos os desafios apresentados que, aparentemente, sobra pouco tempo pra pensar e respirar. Precisamos enfrentar nossos medos e inseguranças para lidar e refletir para além da nossa vida pessoal. O individualismo que nos empurram goela abaixo nos faz esquecer das parcerias que devíamos nutrir, das dificuldades dos nossos trabalhos (quando os temos), das lutas que deveríamos empenhar, da forma como a sociedade está funcionando.

1ª greve geral brasileira foi iniciada por mulheres em 1917

Cada vez mais tenho certeza que a engrenagem está desencaixada e que alguém está sendo mais e mais massacrad@ pelos seus dentes, sufocad@ pela nossa omissão. Os que estão no poder permanecem montando nas nossas costas. Uma parte sente o peso e outra parte não. “Mas tudo bem”, esqueço rapidamente do outro quando entro em meu carro, fecho o vidro e chego em casa, na minha vidinha miúda e sem crítica.

Algo está muito errado em como nos relacionamos com o mundo e nem sequer percebemos mais o que. É preciso mudar. Somos oprimid@s e reproduzimos a opressão, transformamos toda nossa vida em relações de poder e nos permitimos sermos ferid@s por “instituições e entidades maiores”, pois “assim é”. Ficamos fragmentad@s e sozinh@s quando deveríamos dar as mãos e nos unir.

Nada é! Tudo está!

Uma peça teatral só funciona quando a equipe inteira trabalha junto. Talvez a vida deva de fato imitar a arte para que reste alguma possibilidade de caminhada.

“Somos todos iguais, braços dados ou não”.

Junt@s resistimos. Quando descobriremos isso?

meu pé de arte

21 set

a mulher de um brinco só me fez plantar uma árvore
e dessa árvore nasceu Marília, menina arte!

já fez arte, fez teatro. rodopia e bate os pés.
pinta, borda, desenha na borda. tricota, canta escondida.
tece e planta a arte. árvore da semente da vida. semente humana. uma árvore de Marília.

Não é à toa que esse texto surge hoje. Com a chegada da primavera, vou florescendo junto com minhas ideias e as flores lá de fora. Este não é um texto sobre o dia da árvore, é um texto sobre a minha árvore.

“Plantei” minha primeira árvore aos 10 anos. Aula de artes da escola, minha preferida. Nós tínhamos de criar uma arte com pedacinhos de papel e eu escolhi uma árvore. Até hoje eu lembro das cores que ela tinha e de como foi excitante encontrar tantos tons de verde para minha primeira composição. 15 anos depois chega a minha sobrinha em casa com a cola do pai dela e resolvemos criar. Uma nova aventura de novas cores. Da brincadeira, nasce a arte. Esta é uma das obras que compõe a minha série. Ela me faz sorrir todos os dias.

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Então eu redescobri o prazer de criar. Ter tempo para misturar cores e deixar a alma falar. O desemprego tem suas vantagens e com o tempo de sobra voltei a pintar e desenhar. Desenterrei o guache e a aquarela guardada há mais de 10 anos… Cada semana minhas paredes ganham uma imagem feita por mim ou outrxs artistas. Está um colorido só!

Um grande desafio deste ano foi ter um momento que não cabe em palavras: criar uma mandala que contasse minha trajetória artística para a “disciplina” Arte e Psicologia da pós em Arte-Terapia e Terapias Expressivas. Eu sem emprego, sem perspectiva e cheia de angústias só tinha uma certeza: eu que desenho árvores por onde passo não podia deixar de colocar uma bem no centro do meu trabalho. Foi a árvore da infância que retornou para me lembrar de quão importante é a criação.

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Árvore vai, árvore vem e a vida segue. Nem conseguiria explicar neste post o quanto andei até agora. Talvez o blog conte melhor, mas tenho algo muito importante para compartilhar. É que eu já conheço a minha árvore favorita. Um retrato, uma reflexão, uma sublimação, uma louvação, uma descoberta e um início. Ela é tudo que já existe e tudo que ainda está por vir. Minha Árvore da Vida. Ela sou eu.

Árvore da Vida