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A farda que mata

1 maio

Em que momento nos perdemos na chance da mudança? Quando deveríamos ter dito “pare” e não o fizemos? Quando deixamos de nos enxergar n@ outr@? Nos desumanizamos tanto assim que fomos capazes de esquecer quem somos por trás da armadura da violência e do poder?

Me pergunto até onde pode chegar a opressão. Qual é o ponto limite entre perder para sempre a nossa alma permitindo a cegueira que, ao atirar n@ outr@, acertamos a nós mesm@s?

A bala de borracha nos atinge por inteiro. A fumaça que intoxica, o estouro que nos ensurdece sai de nossas mãos para nosso próprio corpo.

Não há escudos para aquel@s que atiram as bombas. Elas destroem o que nos une. Quando a farda representa a morte d@ outr@, representa também a morte de quem a usa, pois é a blindagem que barra a própria humanidade.

A farda também mata aquel@ que a veste.

Foto: Mídia Ninja

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Uma mulher contra o golpe

19 abr

Daí teve o primeiro golpe. Chame como quiser. É um país livre (é? bom, por enquanto parece). Eu vou chamar de golpe. Passada a votação, estava eu largada na cama tentando dormir e uma coisa não me saía da cabeça: como as mulheres escreveriam essa parte da história. Bem, aqui estou eu respondendo à minha própria pergunta e fazendo a minha parte. Não quero fazer um texto sobre mulheres na política ou mulheres que escrevem sobre isso… Eu só quero escrever e deixar um pouco desse nojo sair.

Das poucas deputadas que temos, todas foram assediadas de uma ou outra forma. Teve gritos de “linda” (ó… que bonitinho da parte deles… ahan), teve vaia pra licença maternidade (oi? sim! teve!), teve mulher se exaltando e sendo chamada de forte (mas todo mundo viu seu sorrisinho nojento, tá?), teve mulher guerreira sendo chamada de histérica (nenhuma novidade. qualquer mulher que ouse levantar a voz pra se defender é “a louca do rolê”) e teve a mulher que sofreu o golpe. Golpe bem baixo. Bem sujo. Uma daquelas coisas que a gente espera não ver de novo.

A gente foi pra rua. Pediu. Implorou. Conversou. Gritou. Mas não teve jeito. Quando se quer o poder, não importa em que você vai pisar. E pisar numa mulher ainda é mais fácil. Sempre tem um monte de homem pra ajudar. Já homem denunciado é pra botar no alto! “Salvador! Cunha herói!”…
Façam-me o favor…

Mulheres contra o golpe - 05/04/2016

Mulheres contra o golpe – 05/04/2016

Teve gente mandando beijo, abraço, louvando, roubando, repetindo, repetindo, repetindo… Mas o que não me desceu de jeito nenhum foi a porcaria do cartazinho escrito “tchau, querida!”… Aquilo me deixou do avesso. Queria pegar aquele cartazinho e fazer cada deputadozinho o engolir todo picadinho. Pedacinho por pedacinho. Ai teve o absurdo e o meu sangue ferveu.

Como é que em pleno 2016 chega um sujeito e acha que exaltar torturador é legal? E pior! Ainda é permitido! Ninguém fala nada! Ninguém processa o homem! Tá lá, livre, cínico e feliz sendo deputado! Dedicar o voto a um ser que enfiou ratos em vaginas de mulheres vivas e conscientes e não acontece nada?! RATOS EM VAGINAS!!! É de vomitar. Pra dizer o mínimo. Por que você não fala logo a verdade, você e seus comparsas? Falem logo que é porque é mulher! Falem!

Pausa pra respiração.

Daí teve o momento “fazer a limpeza no facebook”. E teve um primo defendendo o sujeito Bolsonazi me comparando a estuprador. Sim, teve. Pra dizer o que eu acho bem sinceramente, ele é burro. Simples assim. Porque quem não sabe que gay, lésbica e bissexual não é igual a estuprador, é burro. Tchau. Terminamos. Não te amo mais. E nem doeu. E teve aquele amigo antigo que já tinha se transformado na própria sombra. Não é surpresa ele apoiar Bolsonazi. Mas é lembrar que ele dormiu na mesma cama que eu. Ele dividiu comigo sorrisos, lágrimas e intimidades. Sim, dividiu. E ele… bem… ele doeu. Dor. Sentimento de golpe.

Tem uma coisa que descobri quando a gente briga com amig@s… Às vezes a gente não gosta del@s e ainda assim gosta. Confuso. Difícil. Real. Então, pra entender isso, criei uma expressão um tempo atrás e ela diz assim: te amo pra sempre, mas te odeio agora.

Acho que é isso que aconteceu de ontem pra hoje. O “te odeio agora” fez meu sangue subir e querer quebrar tudo. São pessoas dizendo barbaridades. Não seres inventados, monstros fictícios. Não! São pessoas desejando a morte, o horror, a tortura. São pessoas passando por cima de pessoas. Pessoas fingindo que são honestas e boa parte acredita. E então, o golpe. Nada disso é novidade, mas pela deusa… Tá de foder.

Eu não vou fazer uma análise histórica do golpe. Vou aqui falar como sempre falo, sentindo. Eu te odeio agora. Odeio você que levantou o cartaz “tchau, querida!”, você que louvou torturador, você que curte o Bolsonazi, você que disse que ia votar contra e votou a favor, você que acha que mulher não deve estar na política, que o problema é a presidenta ser mulher, você que é cego o suficiente pra achar que a corrupção é invenção do PT e que antes estava melhor, você que gritou “Dilma, filha da puta”. Eu não sei se consigo te amar de novo. Porque isso que você fez foi baixo. Foi sujo. Foi nojento. Foi machista.

Mas eu sou mais forte que você. Mais forte que o seu ódio. Mais forte que o meu ódio, porque ele vai passar. Ele não vai me alimentar como alimentou você. Eu sou mulher, escrevendo sobre o golpe, sou guerreira e vou gritar, vou lutar, vou responder, vou protestar. Somos muitas e você não vai nos derrubar.

mulher-contra-o-golpe

 

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