29 de Janeiro. O dia que você não viu passar.

30 Jan

Dia 29 de Janeiro passou batido pra muita gente e apesar das mais de 40 travestis assassinadas somente neste mês, pouco se fala em Visibilidade Trans nas mídias. O fato disso acontecer já prova a necessidade desse dia. Se mais de 40 pessoas foram assassinadas por apenas serem e você nem ao menos saber disso, é preciso questionar: que visibilidade?

Enquanto muitas morrem invisíveis por serem ignoradas, as poucas que sobrevivem são desprezadas por suas famílias, pelo poder público, pelas igrejas, escolas e homens de bem. 

Homens e mulheres trans só são enxergadxs quando exigem seus direitos. Mas nunca para que estes sejam respeitados. É mais um momento em que as “pessoas de bem” viram o rosto para seus próprios umbigos privilegiados. 

É preciso que pessoas trans sejam vistas por serem pessoas e não corpos mortos à beira da estrada. 

Lutemos todxs por uma humanidade verdadeiramente humana e não por um pedaço privilegiado dela. 

‪#‎DiaDaVisibilidadeTrans‬ 

É uma luta de todxs.

Os andarilhos

28 Jan

Os andarilhos da noite precisam de luz para caminhar.

Por isso sempre deixo minha alma acesa para que possam encontrar seu verdadeiro lar.

Vez ou outra um deles se perde e nem a lua ou as estrelas são capazes de ajudar.

Nessas horas, são enviados guias alados para proteger seus caminhos. Anjos, se você preferir.

Ninguém os vê. Ou quase ninguém, mas é certo que estão lá.

Quem os envia? Não sei. Talvez a própria noite se comova pela angústia da trilha errada e envie seus protetores aos andarilhos que a acompanham. 

Não se sabe ao certo por quanto tempo vagam e nem o que o caminho os ensina, mas uma certeza existe:

uma hora encontram seu rumo e voltam calorosos para casa. 

Escrevo porque respiro

26 Jan

O facebook já que é uma das mídias que mais uso para saber do que se fala virtualmente. Eu sou realmente interessada nisso. Passo um bom tempo da minha semana observando as falas e formas de compreensão dessas falas, textos que são compartilhados, os grupos de discussão. É lá também que eu sempre divulgo meus textos, tanto os do blog quanto os que escrevo para a Mingau Crafts.

Eu gosto muito de escrever, de ler e de ouvir o que as pessoas dizem. E acredito que as mídias sociais são uma ferramenta maravilhosa de comunicação. Tento aproveitá-las ao máximo. Escolho com muito cuidado o que gostaria de comunicar aos que não me conhecem pessoalmente. É uma aventura, uma diversão e um grande desafio encontrar as palavras certas pra expressar algo tão íntimo como meus pensamentos.

Foi dessa necessidade de me comunicar que tomei a iniciativa de atualizar “meu trabalho” no facebook. Lá estava eu, desempregada há meses (e ainda estou) pensando em como atualizar minhas funções e currículos. Eu estava sem saber que funções eu gostaria de ter. Já fui assistente pedagógica, contrarregra, professora de teatro, auxiliar de biblioteca, secretária, dona de cantina… Dessas coisas que fui sobraram três: desempregada, camareira e… escritora? Bem, estou sem espetáculos no momento e estou aqui escrevendo. Eu escrevo na internet, no caderno, no canto do livro, no guardanapo, na porta do banheiro, na minha pele… escrevo dentro de mim cada vez que um pensamento ou emoção me ocorre. Daí veio a pergunta: eu poderia me dizer escritora?

Escrever é o que me resta nesse momento. E uma das poucas coisas que eu realmente gosto e quero continuar fazendo. Foi essa a única coisa que decidi manter como tarefa, hobby, paixão ou trabalho. Não me importo de fazer sem saber, se é que isso existe. Não me importo de ser criticada ou questionada. Escrever me completa de uma forma que, por mais estranho que pareça, não cabe em palavras. Então talvez eu seja mesmo uma escritora. Mesmo que isso nunca me leve para outros continentes, para outras línguas ou novos mundos. Escrever me faz feliz, me faz abrir as asas e é bem provável que eu ainda voe mais um pouco.

Pensamentos por paixão

12 Jan

Oi… Eu só queria dizer que… Bem, você sabe. É que talvez eu esteja me apaixonando por você. 

Vi uma foto sua outro dia e senti algo diferente aqui dentro. Uma pequena ondulação, entende? 

Que besteira… Você nem deve se lembrar de mim ou até saber que eu existo! Sabe como é, ainda nem fomos apresentados direito. 

Foi só um olhar. Aquele olhar. 

Gorda não precisa de roupa, precisa não existir

7 Jan

Pouca coisa me deixa tão irritada quanto comprar roupas. Dia de comprar roupa é dia de batalha. Rola uma preparação emocional, meditação, exercícios de respiração, chá calmante. Mas não adianta, eu sempre fico furiosa nas lojas. 

Não é que eu saia procurando algo que não existe em loja alguma, o que acontece é que me sinto buscando o impossível. Olho todas as araras de todas as lojas que meu orçamento permite e raramente encontro o que preciso.

Você deve estar pensando “ah, Marília! É que você muito exigente ou não quer provar coisas novas!”… Não meu bem. Não é como não encontrar exatamente aquele modelo ou aquela cor. É não encontrar o seu número NUNCA! 

Acho que os “criadores” de moda pensam que gorda não precisa usar roupa. Só que se eu resolver sair pelada por aí vou ser a gorda nojenta expondo suas banhas! Pois quem dita as regras diz mulher pelada não pode! Gorda então? Jamais! E quem disse que gorda usa calcinha, calça jeans, vestido, camisa, terninho? Não! Nesse mundinho modelete, gorda usa camisetão velho do primo falecido! Como se já não bastasse todas as ofensas que escutamos e todas as misericordiosas perguntas sobre nossa “saúde”, ainda precisam deixar bem explicado que gorda não deve sair de casa já que não vai ter roupa pra vestir!

“Ah, Marília, por que você não vai numa loja de roupa pra gorda? Hoje em dia tem coisas até bonitinhas!”… Bonitinhas? Eu tenho cara de bonitinha, minha filha? Eu sou linda! Quero uma roupa que reflita minha lindeza! Eu quero todas as opções que quiser! E que eu possa pagar! Não sou rica pra gastar uma fortuna em loja de gorda! Porque ainda tem essa, só gorda rica sai de casa com roupa bonitinha ou maravilhosa! Gorda pobre e desempregada que se foda!

Mas eu já sei o que esse mundo quer! Quer que eu use as poucas roupas que me servem até elas rasgarem! Pra depois que não sobrar nenhuma inteira eu não possa sair de casa. É isso que querem, uma gorda presa em casa amarrada com um lençol de casal. A única coisa que vai me sobrar pra vestir se depender de vocês, mesquinhos artistas do mundo da moda! Pois me aguardem! Vamos ver quem é que vai ficar em casa! Saio com ou sem lençol!

O sonho da menina

31 Dez

E ela, pequenininha e sonhadora como nenhuma outra, rodopiou a saia florida e logo saiu a cantar para o jardim. Debaixo da pitangueira encontrou uma pedra que num piscar de olhos se transformou em tijolo e em seguida em um castelo de torres tão altas que subiam ao céu. Saiu debaixo da velha árvore e foi subindo pelas escadarias do castelo até encontrar uma nuvem onde deitou pra observar os que ficaram lá embaixo.

Podia ver a casa onde a mãe crescera, a rua onde aprendeu a andar de bicicleta, a escola, o parque e até o mar! Desejou dar um mergulho e num pulo certo chegou à praia de areia macia e de ondas leves. Foi nadando até mergulhar bem fundo. Conheceu o oceano colorido dos corais e escuro das profundezas. Viu os mais diversos peixes e conversou com todos. Percebendo que o sol começava a se despedir, pediu carona a uma baleia que por ali passava até a praia.

Despedindo-se dos seres da água, abriu os bracinhos e voou como um pássaro de volta à nuvem. Desceu correndo as escadas do castelo, chegou à pitangueira e dançou feliz com toda a liberdade que tinha conquistado. Numa mão a barra da saia e na outra a pedrinha tão querida.

De dentro da casa saiu um cheiro de café fresco e bolo de laranja. O velho cuco bateu seis horas, era hora do café. A mãe e a avó que a observavam brincar há horas não conseguiam imaginar o que havia de tão interessante naquela pequena pedra. Mal sabiam elas que aquela pedrinha embaixo da pitangueira era o mais fabuloso portal para o mundo real, o sonho da menina.

retiro

20 Dez

eu tô aqui na praia relaxando e vem uma maré de pensamentos impertinentes. 

devia ter ligado pra elx. será que devia ir nx médicx? a monografia fica pronta a tempo? tudo bem eu estar aqui e elxs não? minha doença só piora… vou ter trabalho em 2016. vou? quero ser mãe esse ano. serei?

eu tô aqui na praia e devia estar relaxando. e tudo bem que minha cabeça está a milhão. mas podia estar menos densa. podia? depois de um ano de doenças, desemprego e mudança de carreira, acho que mereço um retiro e um maremoto. 

meu maremoto me faz mar. sempre em movimento. guardando os mistérios e tesouros do mundo. ligando lugares tão distantes que os olhos não conseguem enxergar, mas estão lá. logo ali do outro lado do mar. 

a praia sempre me faz refletir. talvez por isso seja meu lugar favorito no pequeno mundo que frequento. meu lugar de retiro, onde me permito um pouco mais estar num turbilhão e em silêncio.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.