Ser feliz é deixar a lágrima escorrer

20 nov

Minha mestra me ensinou que se perder é o primeiro passo pra encontrar o que eu procuro. E que o verdadeiro valor das coisas está na emoção que empregamos em nossas atitudes.

Com ela aprendi que ter medo é como ter coragem, é interesse. Com o ela o sorriso tem a mesma importância da lágrima e do abraço.

Por estamos juntas, descobri que a entrega é o encontro. Aquele que está no espelho. Aquele que é fiel ao que eu sou.

Com ela pude ser e querer me libertar. Pude sorrir e chorar. Pude me abraçar e me permitir voar. Nela eu vejo o amor e o cuidado que um dia quero também carregar.

Ela me inspira e me provoca. Me instiga e estimula simplesmente por ser. Ela transforma, ela é.

Juntas temos medos e anseios, sonhos e desencontros. Mas hoje eu sou porque ela é. E juntas somos mais. Ela é gratidão, esperança a amor. Ela transborda. Ela é vida!

Ana Kiyan é minha história, parte de mim, parte de eu. 

Sobre o amor e as possibilidades da vida

19 nov
Coração aperta.
Coração liberta.
Sentimento é força que viaja o mundo,
ultrapassa oceanos.
Coração respira.
Inspira.
Amor prepara,
se prepara.
Amor vive.
Amor busca.
Eu vou.
Vou?
Você vai?
O amor…
O amor pode.
O amor vai.
E eu, vou?

Beijos no chão

10 nov

Muitas leituras fizeram meu corpo tremer, o meu sono sumir e o meu coração bater mais rápido. Mas eu não nunca imaginei que uma leitura tão profunda e com um tema tão brutal pudesse ser tão sublime como Beijos no chão da Dani Costa Russo.

Falar de violência contra a mulher, de violência doméstica, da forma tão poética como Dani fez, trouxe um novo olhar para minha estante, para os meus textos, para minha militância, para minha alma.

Dani Costa Russo - foto de Fernanda de Oliveira

Dani Costa Russo – foto de Fernanda de Oliveira

Como tantas [e tantas… e tantas…] mulheres, faço parte de uma estatística ingrata de violências. A verdade é que nunca sabemos onde e quando o gatilho vai disparar. E ainda que a minha história seja totalmente diferente da protagonista, eu tinha medo de ler o livro. Eu tive medo e recebi um presente por enfrentá-lo. “Beijos No Chão” foi um bálsamo curativo tanto para minhas feridas quanto para minha escrita.

Existe a violência, existe a poesia e existe a superação, esse tão longo processo que se chama empoderamento. E é disso que essa leitura se trata. É isso que significa ler mulheres, incentivar mulheres a escrever, dar suporte a elas nos momentos de vulnerabilidade e nos momentos grandiosos como o lançamento de um livro. Empoderamento é fortalecer as mulheres e, por consequência todas as pessoas, é entender o que é respeito, voz, força e representatividade. A poesia em Beijos no chão é aquela voz que diz “faça, não só porque você quer, mas porque você pode querer. Todas podemos. Dani nos fez voz em sua escrita e, por isso, serei eternamente grata.

Ler um bom livro é sempre um presente para quem se permite. Eu me entreguei à Dani e me entregarei novamente quantas vezes ela me convidar a compartilhar sua arte. Me entregarei sempre às mulheres escritoras. Porque somos juntas.

Leia mulheres.

Mulheres, escrevam.

Denuncie a violência doméstica. Meta a colher. O empoderamento não se faz sozinh@.

o amor e o encontro inexistente

5 nov

quando vejo uma pessoa bonita

tento me aproximar dela ao máximo

numa tentativa quase tola de incorporar toda sua beleza à minha existência.

então eu fico lá inebriada por alguns instantes…

observando as suas feições delicadas ou rudes

pensando em quão belas são

e como eu poderia amá-las.

não que eu ame pessoas por sua aparência física,

longe disso.

eu as amo por aquele brilho único que algumas possuem.

curioso é saber que eu desisti de amá-las por tanto tempo

que acabei por desistir de escrever sobre elas também.

e agora estou aqui, escrevendo esta pequena declaração oculta de amor eterno…

uma declaração infinita, apesar de tudo,

uma que exalta a perfeição destes encontros ilusórios.

Sobre os elefantes no céu

1 nov

Sempre amei ver as formas que as nuvens criam no céu. Principalmente os animais. De uma forma ou de outra, acabo sempre por encontrar um elefante. E, se possível, um elefante bebê.

Eles são tão graciosos! Brincalhões e amorosos. São animais que verdadeiramente me fascinam. Talvez pelo seu tamanho, sua grandeza. Eu gostaria de ser um elefante bebê para brincar por aí. Isso me lembra a infância, quando se podia correr e se sujar de lama no calor para depois ver a lama escorrer com a água da mangueira do quintal.

Interessante pensar em quanto o elefante hoje me encanta quando, no passado, nessa mesma infância solta e “livre”, ele já foi sinônimo de incômodo. Quando criança, eu não entendia a beleza e a majestade do elefante. Ele era apenas mais uma forma de me ofender por ser gord@. Que triste é associar tal animal a um preconceito. Ele que, na realidade é tão leve e feliz.

Ainda hoje procuro elefantes nas nuvens ainda buscando essa alegria que ele representa. Se tod@s o vissem como eu, ser chamad@ de elefante seria um grande elogio. Quem sabe se olharmos verdadeiramente o elefante e pudermos encontrar a sua essência, possamos nos libertar como ele e brincar também pelo céu com a mesma leveza.

elefante-agua

Como você pensa a sua cidade?

29 set

Época de eleição sempre me faz [re]pensar o que faço pela minha cidade ou pelo meu país. Desde 2002 tenho me interessado cada vez mais sobre a política nacional. Tudo começou com uma professora de geopolítica daquelas bem apaixonadas pelo tema. Todo mundo já teve uma pessoa assim na vida. Alguém que, de tão apaixonad@, desperta a mesma paixão em outras pessoas.

Eu tinha 17 anos quando Lula finalmente foi eleito presidente. Era semana da viagem de formatura e lembro de ficar bem preocupada com o que isso significaria para o Brasil. Desde então, muito do que eu entendia por política amadureceu com a idade, com as minhas escolhas e ideais para o mundo que eu queria ver acontecer. Entrar na universidade pública fez toda a diferença. Sou mulher de classe média e sempre estudei em colégios particulares ouvindo coisas como “se você não se comportar bem ou tirar notas ruins, vou te colocar na escola pública”. Eu tinha medo do público. Ele era um castigo e não parte da minha vida. Hoje, aos 31 anos, a esfera pública tomou outra dimensão. Pra mim ela é objetivo e não castigo, é onde eu quero estar.

Desde que me entendi uma pessoa de esquerda, tenho tentado aliar meus ideais às minhas ações e elas passam invariavelmente pela eleição. Me pego pensando em como atuar neste campo através do meu voto e das minhas palavras. Tenho tentado ser coerente com o feminismo e a representatividade em tudo que escrevo e penso. Para tal, seria óbvio que, nesta eleição municipal, eu votasse numa mulher que tenha a mesma coerência que eu procuro obter um dia. Mas a situação política que vivemos não está facilitando essa minha posição.

Refletir sobre o que é bom para a minha cidade me fez ter mais dúvidas do que convicções, questionamentos sobre como me posicionar para que a cidade seja respeitada em suas conquistas e necessidades. É preciso deixar de lado meus interesses privados para que essas necessidades da cidade sejam atendidas.

Analisando o risco que corremos se candidatos como Doria, Russomanno ou Marta assumirem a cidade, é preciso votar com estratégia. E talvez isso signifique votar não com o coração, mas com possibilidades. Ter de escolher entre Erundina e Haddad me deixa ao mesmo tempo feliz e angustiada. É preciso pensar na minha cidade independente de mim, mas com a minha participação. Permitir que projetos sociais consistentes sejam jogados no lixo não é algo que estou disposta a fazer, e aquelas três pessoas o farão. Disso não tenho dúvidas. E ainda assim me pergunto: faço do meu voto uma posição da coerência que busco? Abro mão da representatividade feminista [mesmo que não totalmente] ou ajudo uma força grupal a continuar um trabalho tão intenso de transformação de São Paulo? Honestamente, ainda não tenho uma resposta para isso. Sei que meu voto é só um, mas é a minha voz desejando o melhor para minha cidade.

Já é batido dizer que temos de votar com consciência, mas neste momento que estamos, isso se faz mais urgente do que nunca. Estamos definindo qual a prioridade coletiva da cidade e isso afetará tod@s, contudo, afetará ainda mais @s que não são de classe média ou alta e é nessas pessoas que temos de pensar. Sei que ambas as propostas de Erundina e Haddad se alinham mais com a transformação social que desejo. E sei também que Doria, Russomanno e Marta estão totalmente afastados da coerência social e política que São Paulo precisa.

Como pensamos e agimos nossa cidade? Como faremos? Com quem faremos? Confesso que ainda não encontrei a resposta. Certamente a terei até domingo e espero que tod@s consigam uma que faça sentido ao ideal que temos de uma boa cidade para se viver. Os tempos são difíceis e estamos tod@s à flor da pele. Que isso não nos impeça de votar com sabedoria.

E só para concluir, hoje e sempre, FORA TEMER!

Clariceando-me

16 set

Às vezes me pergunto como Clarice contaria a minha história. Como ela escreveria a minha vida se eu lhe perguntasse o que fazer com ela. Eu seria uma daquelas personagens que me encontraria dentro ou fora de mim? Que aventuras eu viveria ou deixaria de viver por suas palavras?

Se me fosse dada a oportunidade, eu pediria a Clarice que me desvendasse num longo romance. Não que isso já não aconteça nas histórias que não são sobre mim, mas acredito que se eu fosse transformada num de seus mistérios, meu reflexo seria outro. Seria eu um espelho de outra pessoa? Alguém mais livre de mim ainda que eterna?

O que Clarice me diria se eu me oferecesse a ela? Se nos déssemos de presente uma à outra? Ah! Se eu fosse uma personagem tão importante assim que merecesse ganhar um próprio livro! Mas não. Sou apenas eu me imaginando escrita pela própria inspiração. Pois Clarice já me fez em suas mulheres. Basta escolher qual.