meu pé de Lua

26 jun

cantam vozes, visões.

sonhos ilustram seu caminhar

noite vai, noite vem

estrelas caminham pelo céu.

e minha Lua?

te sinto aqui!

sinto forte, quente, viva.

sumiste? por onde anda?

pra onde vai?

volta! vem pra perto.

vem pra dentro.

vem, minha Lua,

vem pra mim.

a revolta é legítima

25 mai

quando foi a última vez que você se sentiu menosprezado? tenho certeza que você lembra com indignação o que é exclamar que estava sendo injustiçado enquanto alguém te dizia que você estava exagerando. pois eu vou lhe contar uma coisa: não era exagero antes e não é exagero agora. 

quando alguém te diz que se sentiu ofendido por algo que você disse, você não diz que a pessoa está exagerando, você não diz pra deixar pra lá, você não dá o assunto por encerrado, você não ri da pessoa. você cala a boca e se pergunta onde pode tê-la ofendido. 

não importa o quão alterada a pessoa esteja. ela está sofrendo e você, muitas vezes preso em seu orgulho, nem percebe que está pouco ligando para isso. você se sente inatingível enquanto um ser está aos berros tentando te fazer escutar as palavras horríveis que você disse a ela. 

quando alguém que te ama, respeita ou mesmo nem liga pra você te diz que você fez merda, pare e cheire a bosta que você tá pisando. ela pode ser só sua, mas pode incomodar bastante gente. 

Perguntas, gêneros e a porcaria da generalização

22 mai

Assisti ao trailer do documentário De Gravata e Unha Vermelha. Fui fazer as coisas da vida e decidi escrever sobre arte. Três parágrafos e um incômodo se transformou em aflição e me fez parar imediatamente de produzir.

Por que bocetas não posso escrever os termos no feminino? Uma terapeuta ou uma artista ou uma paciente e isso querer dizer TODA a população mundial? PODE SIM! Porque eu quero. Porque eu decidi e porque eu vou fazer!

O masculino não generaliza! 

Entendeu ou quer que desenhe?

versão maior do trailer

das lágrimas que correm agora

14 mai

dá pra dar aquela pausa agora? abrir a janela, tomar um pouco de ar. sentir o sol batendo de leve na pele e se espreguiçar mais um pouquinho. 

dá pra esquecer aquela mágoa agora? dar um beijo e um abraço apertado. escutar uma

palavra de carinho. 

dá pra começar de novo agora? escolher outro caminho. apagar os rastros da areia. 

dá pra não doer agora? 

não. não dá. 

para nunca esquecer

12 mai

One art, Elizabeth Bishop

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant 
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied.  It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

por um dia de todas

10 mai

que neste dia das mães possamos honrar nossas mães, irmãs, tias e avós. que seja um dia para lembrar daquelas que nos acolheram em seus ventres, seios e braços. as que nos geraram e as que não. as que nos amaram e as que não. mas que seja um dia principalmente das mulheres que não possuem esse desejo.

que as mulheres que não querem ser mães de ventre ou colo sejam finalmente ouvidas, amadas e presenteadas com carinho, honra e respeito. e que este querer seja legítimo, legal e livre. 

descriminalizar o aborto é defender a vida. não é uma questão de opinião. meu corpo, minhas regras. 

por um dia de todas nós. por um dia de mulheres donas de seus corpos. 

Fortalecendo o espírito

7 mai

Às vezes nós temos medo da noite. O silêncio faz nossos pensamentos se confundirem com nossos anseios e passamos a escutar vozes que, por menos assustadoras que sejam, tornam o adormecer muito difícil. Nem sempre é medo. Quem sabe é apenas ausência de si. De mim.

A noite sempre me foi um desafio. Teve o tempo de vencê-la como se fosse uma grande barreira, aventuras de menina. Teve o tempo do apagão completo, da exaustão. E o tempo das lágrimas. Longo… Teve o tempo de esquecer a própria noite no meio do amor, dos risos, dos copos, dos corpos e da fumaça. Nesse tempo ela não me fazia tanta falta. Então veio o tempo de sonhar acordada e de sonhar por motivos, esse é o tempo das páginas e das profecias.

Uma pausa. Um tempo que parece sem fim.

Meu tempo agora é incerto. É in, certamente. Tem medo e tem ausência. E tem quase tudo aquilo novamente. Mas é tempo de oração.

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