dos versos de amor e saudade

11 jul

vem, me balança no seu colo até tudo passar

olha nos meus olhos e diz que tudo vai ficar bem

esquece o que passou, aquilo não importa mais

me abraça forte e me espera adormecer

sonha comigo, sonha em mim

que eu estou te esperando acordada.

vem ver o sol nascer mais uma vez.

a saudade aperta e me faz lembrar você.

O preço do hoje

24 jun

É amigue, não tá fácil pra ninguém. O quilo do feijão já tá custando até 13 golpinhos. O do meu trabalho tá zero. Não tem trabalho, né?

Escrever? Ah, eu escrevo sim. Um rabisco aqui, outro ali. Uma anotação na monografia (xi, falta pouco!). Mas sabe o que sinto falta mesmo? Do mar. Ô beleza que é o mar. Mas não pense que é só isso não. Eu gosto do pacote completo: mar, sol e amigues.

Sinto falta dos sorrisos até o amanhecer, de acordar de mãos dadas e das músicas favoritas.

Eu podia visitar o mar qualquer dia desses. E levar toda família comigo. Minha família é grande que só vendo. Tudo boa gente. Gente que ama e não tem medo de amar.

O preço de ser adulte é que algumas coisas se complicam. Os golpinhos estão contados, as risadas não são mais todo dia e o mar fica um pouco mais longe de se ver. Mas a liberdade é maior. Isso é. Ô que beleza que é a liberdade de ser.

À espera de uma cor

22 jun

Não sei lidar com dia cinza. Adoro cores e quero elas por todo o meu céu. 

O dia tá cinza, o humor está cinza, a saudade está da mesma cor.

Tem dia que é assim, não colore nada. Só lembra a gente que tem muita coisa atravessada pra resolver. 

Cadê o sol que estava aqui dentro? Cadê o abraço quentinho? Cadê o vermelho, o azul, o verde, o rosa? Cadê?

Não sei. Fez uma pausa. Tirou férias. 

Paciência cinza. Paciência que a cor volta. 

Uma estrela, um sol

21 jun

Foi numa noite que você se anunciou. Ainda tinha outro rosto e até outro nome. Foi chegando como quem não queria nada, mas eu já sabia. Mudaria minha vida pra sempre.

Acalmou. Dormiu. Sonhou. E foi numa outra noite que você se anunciou de verdade. Uma implosão no útero. No dela e no meu. Num abraço te senti ainda pequenina. Uma força sem tamanho.

Numa noite não dormi. Acordei com o telefonema. “Malpha, você é titia!”. Pulei, chorei, sorri. E lá se vão quatro anos de muitos sorrisos. 

E que venham muitos mais. Muios anos de Maria Morena. Minha sobrinha. Meu amor. Minha família. 

A difícil arte de ser original

17 jun

Tem gente me perguntando quando vou publicar texto novo e vou te contar, tá difícil. Estou na fase final da pós graduação em Arte-Terapia. Aquele momento tão temível que se chama monografia e que te suga todas as ideias que você nem tem pra ela quanto mais pra outros textos. Parece que, de repente, a gente não tem nada pra falar [quando na verdade tem tudo]. Então vou contar um pouquinho disso pra vocês.

A gente tem sono. Muito sono. Mas não pode dormir tudo o que quer porque aí vem a culpa de ter dormido tanto. Porque tem três livros pra ler e uns outros três pra terminar. A gente perde a fome, a tranquilidade, a paciência, os encontros com amigues.

A gente quer ter ideias originais ao mesmo tempo que não pode esquecer de citar as inspirações e as ideias dessas inspirações. A gente quer entregar um trabalho digno, cheio de novas colocações e muito revolucionário. Mas a verdade é que tudo que a gente quer é poder fazer isso com o coração e não com o academiquês.

Eu não sei escrever em academiquês. Por anos senti que a universidade não era o meu lugar. Nós não conversávamos muito, sabe? Eu entendia pouco ou nada do que era falado pela maioria d@s professor@s ao mesmo tempo que guardo muitas falas de muit@s na memória, no coração. Eu me comparava o tempo inteiro com aquel@s coleguinhas super eloquentes e chei@s de referências. Eu me perco na gramática, me atrapalho toda nas ideias e até crio palavras pra explicar o que sinto. Eu não entendia que podia participar da conversa da minha forma. Eu tinha medo de errar, de ser burra, de falar merda. Acho que eu ainda tenho. Mas e aí? Tem a monografia pra entregar. Como faz com esse medo? A gente vai com medo mesmo.

Das coisas mais lindas que aprendi nos últimos tempos é que existe lugar pro coração na universidade. Sim, precisa também melhorar a fluência em academiquês, contudo [e honestamente] não é o principal. Não precisa ser original. Ninguém é. Precisa olhar e inspirar o tema. Fazer sentido pra ele como ele faz pra gente. E daí deixar o coração falar. Ele vai saber o que é seu e o que não é. Ele vai saber ser respeitoso com quem nos antecedeu no assunto. Ele vai se desesperar com a chegada do prazo final e também vai te dizer que você está fazendo um bom trabalho. Ele vai ser tudo o que você precisar nessa hora.

Meu coração está com medo, pois está sedento por mudanças, revoluções e muitas ideias originais. Ele sabe da importância deste momento e por isso quer fazer o seu melhor. E ele também sabe que nenhuma pesquisa é perfeita ou está concluída. Ele sabe que uma pesquisa que vem da nossa vivência é um projeto de vida. “Tudo bem ter medo.” – ele me diz – “Você já original pelo simples fato de ser você e de se ver nesta pesquisa. De ter a coragem de falar com amor e um pouquinho de academiquês. Estamos junt@s.”

Daí você faz esta pausa tão necessária só pra depois dizer “acho que estou atrasada”. Será que estou? Será que uma pesquisa que fala da nossa alma pode estar errada ou atrasada? Será que ela é original? Será que eu sou original? Isso importa? Talvez. Então bora terminar esse troço e continuar logo depois.

Olha a gorda!!!

5 jun

Escrevi pra Revista Pólen sobre ser gorda e feliz. Sim, eu sou feliz sendo gorda e isso não é impossível. Mas ainda há muito o que dizer.

Depois de muito sofrer, algumas pessoas gordas finalmente se aceitam, se amam, se acham maravilhosas. Mas infelizmente o mesmo não acontece no “mundo lá fora”. Pessoas magras não entendem e não reconhecem. Empresas não se interessam em nos vestir. Propagandas não querem nos mostrar. Não estamos nos palcos. Não somos protagonistas. Somos a piada. Somos inexistentes e indesejad@s. Então no fim, muito e pouco importa como nos sentimos se isso não chega às outras pessoas.

É preciso rever a sua relação com pessoas gordas, sema profissionais, estéticas ou pessoais. Vocês também fazem parte da nossa vida e nós fazemos parte da sua. Nós te repeitamos, pessoa magra. Nós te admiramos, te amamos, te cuidamos, te abraçamos e também te desejamos. E não somos coitad@s. Não menos competentes, menos bel@s, não somos nojent@s, doentes ou qualquer outro adjetivo de cunho inferior. Somos, apenas.

Tem uma hora que ser gord@ vai além da nossa própria aceitação. É também uma questão externa. De não existir nas lojas e ter coragem de entrar nelas mesmo assim, de conseguir comer em público sem achar que estamos sendo julgad@s, de perceber o sentimento de pena nos olhares e não sofrer mais com isso. Não depende só de nos aceitarmos, nos amarmos e nos acharmos lind@s.

“Sou feliz sendo gorda, mas precisamos conversar” é um texto de amor, de dor e de vivência de muitas pessoas gordas. Não é só a minha história, é a de todas as pessoas gordas em algum ponto. É preciso dar voz a essa vivência e dar um basta definitivo à gordofobia. Não é uma questão de gosto, é uma questão de respeito.

Agradeço profundamente à amiga e ilustradora Raquel Thomé por transformar esses sentimentos em imagem, à Milena Martins e Lorena Villaça que me acolheram como colaboradora da Pólen e por todo o lindo trabalho de tod@s colaborador@s da Revista. 

um agradecimento

2 jun

hoje eu agradeço ao universo que se fez tão amplo que pode abarcar os meus sonhos.

agradeço ao medo que sinto ao unir palavras que me assustam e mesmo assim dizê-las.

agradeço às feridas que carrego, minha história. são as feridas da minha sabedoria. 

agradeço e honro aqui as mulheres da minha vida: mães, avós, irmãs e companheiras da minha formação.

agradeço à coragem das que vieram antes de mim para a minha transformação.

agradeço aos dons e às dificuldades, meus amores. eternos guias.

e, por fim, agradeço à vida. por se fazer minha independente da minha vontade. 

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